sábado, 28 de dezembro de 2019

Resenha | Livre Para Voar – Ziauddin Yousafzai


A ideia de globalização surge, de maneira simplificada, da necessidade de aproximar os povos com o intuito de um melhor desenvolvimento. Contudo, ao invés dessa aproximação propiciar harmonia, hoje, o que vemos é um realce das nossas diferenças e que comumente têm sido resolvidas através de conflitos violentos com uso de armas de fogo.
“O amor é a coisa mais poderosa que os seres humanos podem ter. A paz e a paixão podem vencer a violência… As armas podem trazer um poder imediato ou uma mudança imediata, mas não de tipo duradouro. A mudança duradoura é aquela que se defende e na qual se acredita.”
Em meio a tantos conflitos, há também histórias de lutas e resistências que quando descobertas servem para acalentar os corações cansados que almejam uma sociedade melhor e inspirar as pessoas a buscarem esse caminho. É o caso de Ziauddin Yousafzai, que nos apresenta um pouco de sua jornada no livro Livre Para Voar.

Ziauddin Yousafzai e Malala Yousafzai
Lançado no Brasil pela editora Companhia das LetrasLivre Para Voar é uma obra biográfica/histórica na qual Ziauddin nos conta como foi crescer em uma sociedade patriarcal do Paquistão e como a educação foi importante para que ele refletisse sobre os costumes e passasse a desejar uma transformação social, mudança essa a qual ele iniciou no próprio modo de agir.
“Acredito que todas as crianças aprendem com o que fazemos, não com o que ensinamos… É assim que acredito que se dá a transformação social. Ela começa por nós.”
Yousafzai, ainda, narra fatos que vivenciou/presenciou e utiliza de sua relação familiar para nos convidar a levantarmos nossa voz frente as injustiças que presenciamos no intuito de construir uma sociedade mais igualitária e com oportunidades para todos. Afinal, ele acredita que “a educação não se resume a aprender fatos e fazer provas. As melhores escolas são aquelas onde se libera o potencial de todos os estudantes…”

Para um pedagogo, como eu, Livre Para Voar é um deleite. A cada página do livro nota-se a sensibilidade e o cuidado que Ziauddin Yousafzai teve com seus familiares, que de certa forma foram os mestres que o ajudaram a ir revendo suas próprias opiniões e remodelasse sua forma de viver. Além disso,  fiquei feliz em perceber que as dificuldades encontradas pelo autor em sua trajetória na área educacional, não o fizeram desistir. Mas, sim, continuar com determinação, motivação e perseverança em buscar a educação como um meio de dar voz, principalmente,  as meninas que são constantemente marginalizadas por uma cultura patriarcal e que aos poucos iam deixando seus próprios sonhos pelo caminho. Fiquei muito comovido ao revisitar o atentado sofrido por Malala, filha do autor, e perceber como esse ato de violência terminou a fortalecendo para que continuasse na luta pelo direito à educação das meninas.
“Creio que o empoderamento das meninas não deve se dar às custas do enfraquecimento dos meninos. Meninos esclarecidos, confiantes, amados pela família, ensinados a se valorizar e a respeitar irmãs, mãe e colegas de escola, tornam-se homens bons e ajudam a concretizar a mudança”.
Em tempos de “líderes” megalomaníacos que celebram a ditadura, que tentam separar famílias com um muro, que cometem verdadeiros genocídios e que roubam da população; Ziauddin Yousafzai é uma inspiração para um mundo que clama por equilibro e a renovação da esperança de todos aqueles que ainda acreditam na humanidade. Sejamos todos Livres Para Voar.
“Realmente acredito que as normas sociais são grilhões que nos escravizam. Acostumamo-nos a essa escravidão e então, quando rompemos os grilhões, a primeira sensação de liberdade pode assustar, mas, quando começamos a senti-la, percebemos na alma como é gratificante.”
– Curiosidades

  • Em 2019, O Capacitor estará trazendo os principais lançamentos da editora Companhia das Letras, através de uma parceria;
  • O livro Livre para Voar foi escrito por Ziauddin Yousafzai em parceria com Louise Carpenter;
  • Ziauddin Yousafzai é pai de Malala Yousafzai a mais jovem ganhadora do prêmio Nobel da paz, em reconhecimento por sua luta em prol dos direitos à educação das meninas;
  • Malala Yousafzai escreveu o livro Eu Sou Malala.
– Sinopse



“Neste relato comovente sobre amor, paternidade e luta por direitos, Ziauddin Yousafzai, o pai da Malala, rememora sua história e sua longa batalha para que meninos e meninas tenham as mesmas oportunidades. Um livro para todos aqueles que desejam criar seus filhos num mundo mais justo e igualitário. Ziauddin Yousafzai tem motivos de sobra para ser um pai orgulhoso: Malala sobreviveu a um atentado do Talibã, ingressou na prestigiosa Universidade de Oxford e se tornou a mais jovem vencedora do prêmio Nobel da paz e uma das principais vozes da luta pelos direitos das mulheres. O que ele fez para criar uma menina tão extraordinária? A resposta é mais trivial do que se imagina: educou-a com amor, incentivo e gentileza — e sobretudo com a convicção de que sua filha era digna das mesmas oportunidades que os meninos recebem. Livre para voar é o relato inspirador de um menino gago que cresceu em uma pequena vila no Paquistão e se tornou um dos grandes ativistas pela igualdade de gênero. Exemplo para os pais que querem que seus filhos façam a diferença, Ziauddin mostra como o respeito e a educação são capazes de criar um mundo melhor para todas as crianças.”

Resenha | Holocausto Brasileiro – Daniela Arbex


Na sociedade brasileira muitos dos principais protagonistas foram pessoas excluídas socialmente. Negros, mulheres, homossexuais, pessoas com transtornos mentais, entre outros; sempre tiveram seus direitos negados, em muitos momentos da história.
“A dor só vira palavra escrita depois de respirar dentro de cada um como pesadelo.”
A obra Holocausto Brasileiro da jornalista Daniela Arbex (Editora Geração) apresenta, com riqueza de detalhes, a negação de direitos e as inúmeras violências sofridas pelos internos do Hospício de Barbacena (Colônia, como era mais conhecido), localizado em Minas Gerais, que vitimou cerca de 60 mil pessoas.

Daniela Arbex
Fruto de uma rica pesquisa jornalística, a autora mergulha dentro da indústria da loucura e denúncia como os ditos “normais” construíram um verdadeiro campo de concentração, no qual a maioria dos internos que foram trancafiados à força não possuíam quaisquer diagnóstico de doença mental – eram: alcoólatras, drogados, epilépticos, homossexuais, prostitutas, meninas grávidas dos patrões (estupradas), mulheres abandonadas pelos maridos, jovens que perderam a virgindade antes do casamento; perderam a vida, vitimados por um sistema organizado para descartá-los somente por não serem socialmente aceitos.

Minha leitura do Holocausto Brasileiro foi marcada por uma série de sentimentos conflitantes. Em muitos momentos a revolta e a indignação me dominaram, principalmente ao “ver” os pacientes bebendo água do esgoto e a própria urina para matar a sede e ainda tendo que comer ratos para não morrerem de fome. Em outras passagens, a alegria e a comoção me acompanharam, nas histórias de reencontro e solidariedade que alguns internos puderam vivenciar. O sentimento de impotência também foi muito marcante, por saber que apesar dos acontecimentos do livro estarem no passado, ainda hoje é comum ver pessoas em situações desumanas.

Ao escrever Holocausto Brasileiro, Daniela Arbex devolve um pouco de dignidade e humanidade aos sobreviventes de Barbacena e traz um pouco de justiça ao relembrar daqueles que morreram. O livro é de uma riqueza histórica por apresentar uma história desconhecida por grande parte da população brasileira e que foi um dos cenários determinantes para surgir movimentos que lutaram e lutam pela reforma da psiquiatria, a exemplo do Antimanicomial.
“O fato é que a história do Colônia é a nossa história. Ela representa a vergonha da omissão coletiva que faz mais e mais vítimas no Brasil. Os campos de concentração vão além de Barbacena. Estão de volta nos hospitais públicos lotados que continuam a funcionar precariamente em muitas outras cidades brasileiras. Multiplicam-se nas prisões, nos centros de socioeducação para adolescentes em conflito com a lei, nas comunidades à mercê do tráfico. O descaso diante da realidade nos transforma em prisioneiros dela. Ao ignorá-la, nos tornamos cúmplices dos crimes que se repetem diariamente diante de nossos olhos. Enquanto o silêncio acobertar a indiferença, a sociedade continuará avançando em direção ao passado da barbárie. É tempo de escrever uma nova história e de mudar o final.”
Sinopse:


Neste livro-reportagem fundamental, a premiada jornalista Daniela Arbex resgata do esquecimento um dos capítulos mais macabros da nossa história: a barbárie e a desumanidade praticadas, durante a maior parte do século XX, no maior hospício do Brasil, conhecido por Colônia, situado na cidade mineira de Barbacena. Ao fazê-lo, a autora traz à luz um genocídio cometido, sistematicamente, pelo Estado brasileiro, com a conivência de médicos, funcionários e também da população, pois nenhuma violação dos direitos humanos mais básicos se sustenta por tanto tempo sem a omissão da sociedade. Pelo menos 60 mil pessoas morreram entre os muros da Colônia. Em sua maioria, haviam sido internadas à força. Cerca de 70% não tinham diagnóstico de doença mental. Eram epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava ou que se tornara incômoda para alguém com mais poder. Eram meninas grávidas violentadas por seus patrões, esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento, homens e mulheres que haviam extraviado seus documentos. Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos 33 eram crianças.

Curiosidades:

Aclamado pelo público e vencedor do segundo lugar na categoria livro-documentário do prêmio Jabuti e ganhador do APCA de melhor livro reportagem e do Lorenzo Natali (Bélgica), a obra também foi adaptada como documentário e lançado pela HBO em 40 países.

Resenha | 1356 – Bernard Cornwell


A era medieval carrega em sua história grandes batalhas que transformaram seus protagonistas de heróis a vilões, numa fração de segundos. Entre tantas guerras que foram travadas nesse período, talvez a dos Cem Anos – disputada entre Inglaterra e França – tenha sido uma das mais famosas.

Bernard Cornwell, atualmente, é um dos maiores mestres capaz de unir fatos históricos e doses de fantasias, para criar uma jornada capaz de prender leitores do mundo todo. No seu livro chamado 1356, ele usa como plano de fundo a lenda da espada de São Pedro, chamada aqui de La Malice, para criar uma atmosfera miraculosa que unirá grandes personagens em uma busca desenfreada por poder e domínio.

Bernard Cornwell
Na trama nos reencontramos com Thomas de Hookton, nosso amado anti-heroi da trilogia do Graal. Agora, um cavaleiro, ele possui suas próprias terras e é o líder dos Hallequins – poderosos mercenários que escolhem as próprias causas para lutar. Com o próprio senso de justiça e lealdade, Thomas recebe a missão de encontrar a famosa La Malice, antes que ela caia em mãos erradas. Em seu caminho, o líder dos Hallequins, vai precisar enfrentar inimigos muito poderosos se quiser continuar vivo; e também, desempenhará um grande papel na famosa batalha dos Poitiers.

Durante a leitura, por conta das habilidades únicas do escritor, somos transportados para a era medieval. A cada narrativa é como se estivéssemos caminhando por castelos ou então lutando nas diversas batalhas apresentadas pela obra. A construção e o desenvolvimento dos personagens também são outro ponto alto do livro, aos poucos vamos entendendo a motivação de cada um e nos pegamos escolhendo um lado. Um ponto que pode causar certo incomodo, é o fato dos capítulos serem longos; contudo, não compromete o desenvolvimento da narrativa.

1356 é uma viagem alucinante por um dos fatos mais marcantes da Guerra dos Cem anos, leitura obrigatória para todos os amantes de história e os fãs de Tolkien, tem um novo ídolo para descobrir.

Cena de uma Batalha da Guerra dos Cem Anos
Curiosidade


1356 se passa dez anos após os acontecimentos da trilogia A Busca do Graal, apesar de não ser considerado como o 4º livro da série, pois 1356 pode ser lido de forma independente, é recomendável ler primeiramente a trilogia. Assim evita-se spoilers e o leitor pode acompanhar melhor o desenvolvimento do personagem.

Trilogia A Busca do Graal
Sinopse

Setembro de 1356. Por toda França, propriedades estão sendo incendiadas e pessoas estão em alerta. O exército inglês — liderado pelo herdeiro do trono, o Príncipe Negro — está pronto para atacar, enquanto franceses e seus aliados escoceses estão prontos para emboscá-los. Mas e se existisse uma arma que pudesse definir o desfecho dessa guerra iminente? 

Thomas de Hookton, conhecido como o Bastardo, recebe a tarefa de encontrar a desaparecida espada de são Pedro, um artefato que teria poderes místicos para determinar a vitória de quem a possuísse. O problema é que a França também está em busca da arma, e a saga de Thomas será marcada por batalhas e traições, por promessas feitas e juramentos quebrados. Afinal, a caçada pela espada será um redemoinho de violência, disputas e heroísmo.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Resenha | Isabel de Castela – Giles Tremlett


As mulheres sempre tiveram lugar de destaque na história. Na atualidade muito tem se discutido acerca desse protagonismo e do empoderamento feminino, o que faz do livro Isabel de Castela: A Primeira Grande Rainha da Europa um lançamento oportuno e uma ótima referência para o debate.

Escrito pelo jornalista inglês Giles Tremlett, que possui uma rica produção sobre a história da Espanha, e lançado no Brasil pela editora Rocco, essa biografia com mais de 600 páginas e 46 capítulos se destaca pela riqueza dos detalhes e em trazer a importância de Isabel de Castela em fazer de uma nação fragmentada, uma potência mundial.


Dona de uma grande inteligência estratégica e política, o caminho ao trono não foi fácil para Isabel. Considerada por muitos como herdeira ilegítima, fez valer sua vontade para se casar com Fernando de Aragão e negociar com muito Grandes Nobres espanhóis para chegar ao poder. Uma vez rainha, inaugurou uma monarquia compartilhada com seu marido, o que surpreendeu a muitos, uma vez que se acreditava que ela seria relegada a segundo plano com Fernando sendo o soberano.


Ambientado em um período marcado por inúmeros reis e de pouco destaque feminino, Isabel logo passou a ser respeitada, graças ao seu forte temperamento e de um messianismo autoproclamado. Inserida em um contexto ao qual o cristianismo decaia vertiginosamente e outras potencias europeias descobria terras além mar, Isabel não se furtou em adotar medidas pouco populares – como expulsão dos judeus, conversão forçada dos muçulmanos ao catolicismo, perseguição política, assassinatos, a reforma nos monastério, apoio a expedições marítimas de Colombo; tudo para fazer o que muitos consideravam impossível, unificar e expandir o reino espanhol.


A leitura da obra Isabel de Castela é uma mistura de sensações. Nos primeiros capítulos a grande quantidade de personagens e detalhes em excesso, como a vestimenta da rainha, torna a experiência um pouco maçante e cansativa; contudo, tudo melhora com a chegada de Isabel ao trono, trazendo as estratégias de guerra e as negociações de governo, o livro ganha em emoção e torna o leitor refém até a conclusão da história. Apesar de ser uma figura controversa, afinal muitos a tem como tirânica, Tremlett consegue devolver a Isabel o protagonismo que lhe cabe na formação da Espanha e destacar a riqueza da história dessa nação.

Isabel de Castela: A Primeira Grande Rainha da Europa é recomendada para todos que buscam conhecer a história do mundo, em especial, para os historiadores que tem diante de si um rico prato que merece ser devorado.



Sinopse:

Em 1474, uma mulher de 23 anos subiu ao trono de Castela, o mais poderoso reino da Espanha, naquela época dividida em cinco reinos conflitantes entre si. Diante dela, o desafio considerável de ser uma soberana jovem em um mundo predominantemente dominado pelos homens e o de reformar e unir um importante reino europeu. Desafios que ela encarou com coragem e determinação, tornando-se a pioneira do seleto clube de grandes soberanas europeias que inclui Elizabeth I da Inglaterra, Catarina, a Grande, da Rússia e a rainha Vitória da Grã-Bretanha. Nesta aclamada biografia, o jornalista e historiador inglês Giles Tremlett apresenta, com riqueza de detalhes e um estilo envolvente, a trajetória de “Isabel, a Católica” – alcunha que conquistou não só em função de sua fé, mas principalmente pelo vigor com que empreendeu a Reconquista cristã da Espanha do domínio muçulmano –, que liderou exércitos, transformou uma nação convulsionada numa das maiores potências do mundo e financiou a viagem de Cristóvão Colombo à América, entre outros feitos.




Resenha | O Fim do Mundo é Aqui – Amy Zhang


Ao longo da vida estamos sujeitos a uma série de situações e escolhas que marcam para sempre a nossa história, principalmente na fase de transição entre o fim da adolescência e o início da vida adulta. Essas marcas podem nos levar ao final feliz do nosso conto de fadas ou a tragédia que desencadeia um verdadeiro apocalipse e é essa descoberta que encontraremos ao concluir a leitura da obra O Fim do Mundo é Aqui.

Escrito por Amy Zhang e lançado pela Editora Rocco somos apresentados aos nossos dois jovens protagonistas Micah e Janie, prestes a fazerem dezoito anos. Duas almas gêmeas que por carregarem um coração cheio de pesar se encaminham para a autodestruição. Quando juntos, eles se enchem de esperança e sonhos, prontos para fazerem a diferença no mundo, o que nos proporciona situações tão surreais e mágicas que nos faz querer viver cada uma delas. Mas, a distância e o “mundo real” podem tirar as últimas chances a que esses jovens ainda se apegam.


Zhang divide a história em duas partes – o antes e o depois do grande evento. Recorrendo a flashbacks, acompanhamos Micah tentando lembrar o que fez nas últimas semanas e Janie elaborando seus planos mirabolantes para tornar o mundo mais suportável. Isso pode tornar a leitura confusa no início, mas na medida que as páginas vão sendo avançadas o estranhamento é superado e a leitura flui bem.

“Esquecer é fácil. Isso não devia ser uma surpresa, mas me surpreende. Esquecer foi fácil. Lembrar é eterno e dói eternamente.”

O Fim do Mundo é Aqui é um livro que aborda temas como separação familiar, consumo de drogas, estupro, bullying, depressão e suicídio; que apesar de parecerem repetitivos, são cada vez mais relevantes para informar e conscientizar jovens e adultos sobre a gravidade da situação e da necessidade do amparo e proteção à todos que sofrem desses graves problemas. Além disso, a obra traz muitas passagens que podem ser destacadas e personagens com muitos sentimentos.


Sinopse:

Janie e Micah, Micah e Janie. Desde os primeiros anos da escola. Almas gêmeas em segredo. Melhores amigos que passavam as tardes na pedreira da cidadezinha onde cresceram juntos, a mais profunda de Iowa. Até que Janie desaparece, e tudo o que Micah pensava que sabia sobre sua melhor amiga é borrado de dúvida. Até que Micah acorda no hospital, e não se lembra de nada. Mas para montar o quebra-cabeça do desaparecimento de Janie e entender seu apocalipse particular, Micah Carter precisa recuperar suas lembranças, inclusive as mais difíceis, numa jornada devastadora. Adotando uma narrativa não linear, que vai e volta entre Antes e Depois e alterna as vozes dos dois protagonistas-narradores, Amy Zhang, autora do surpreendente Quando tudo faz sentido, conta a história de uma amizade marcada por obsessões e segredos dolorosos. E, mais uma vez, entrega um romance Young Adult original, sincero, comovente e impossível de largar até a última página.

Resenha | O Garoto no Convés – John Boyne


No mundo literário, poucos escritores são tão unânimes quanto John Boyne. Dono de uma escrita que cativa e emociona, Boyne também surpreende pela variedade de temas em que conquista os corações dos leitores pelo mundo afora.


Depois do estrondoso sucesso com O Menino do Pijama Listrado (lançado no Brasil em 2006)Boyne se aventura pelas navegações marítimas e nos presenteia com O Garoto no Convés, lançado pela editora Companhia das Letras, em 2009.

Na história somos apresentados ao jovem John Jacob Turnstile, um garoto órfão que sofre dos mais diversos abusos. Na tentativa de se dar bem no natal, termina sendo preso e recebe uma oferta que mudará para sempre a sua vida – embarcar a bordo do navio britânico HMS Bounty para uma importante missão.


No início da viagem vemos um Turnstile assustado e com a ideia de fuga, mas na medida que os dias vão passando, ele vai se afeiçoando ao capitão Bligh e dessa relação paternalista surge um sentimento de lealdade que faz nosso jovem protagonista amadurecer e fazer planos para o futuro – as cenas que envolvem esses dois personagens são as melhores do livro, pois é quando grandes mistérios da obra são revelados.

Vale destacar que O Garoto no Convés é um romance narrado todo em primeira pessoa, no caso pelo jovem Turnstile, o que nos possibilita ser um “tripulante” do Bounty. Divididos em cinco partes – duas passadas totalmente em alto mar, nas quais é possível conhecermos os tripulantes e os desafios da vida a bordo de um navio e a sua hierarquia; uma no Taiti, onde descobrimos a missão dos homens e em como eles são seduzidos pelas maravilhas da ilha; e ainda, a última parte onde somos presenteados com um final emocionante e cheio de surpresas. Nosso protagonista reproduz, com maestria, as tensões dos fatos que viveu e os locais que conheceu, facilitando para que o leitor se sinta parte dos acontecimentos.

Com passagens de ação e muita tensão, a primeira metade do livro é bastante dinâmica. Contudo, na metade final a obra desacelera ficando um pouco maçante em alguns momentos, mas nada que comprometa a leitura. Essa estrutura funciona bem para criar uma atmosfera de angústia e desespero, necessárias para a conclusão da viagem.

O Garoto no Convés é uma leitura bastante agradável, que além de apresentar um importante momento histórico, traz uma grande aventura marítima. Aos leitores que buscam grandes escritores para ler, John Boyne é uma aposta certeira e com promessa de muitas emoções.



Curiosidades:

– A obra é baseada em fatos reais. O motim ocorrido no HMS Bounty é um dos casos mais famosos da marinha britânica.
– O fidalgo que dá a oportunidade para que John Jacob mudasse de vida, Matthiew Zélla, é o protagonista do primeiro romance de John BoyneO Ladrão do Tempo.


Resenha | Renato Aragão do Ceará para o coração do Brasil


Quando se fala em televisão brasileira, é impossível não citar Renato Aragão, o nosso Didi Mocó. Líder dos Trapalhões, que desde a década de 1970 nos faz rir de forma solta e genuína, possui lugar cativo em nossos corações.


Para presentear milhões de fãs pelo mundo afora e também homenagear esse gênio do humor, a editora Estação Brasil traz o livro Renato Aragão – Do Ceará Para o Coração do Brasil, do escritor Rodrigo Fonseca.

De início vale deixar claro que essa obra é muito mais um retrato dos bastidores dos mais de 50 anos de carreira de Renato Aragão e tem muito pouco de sua vida pessoal, o que pode gerar algum desapontamento nos leitores.

Feito os esclarecimentos necessários, podemos destacar a maneira como a obra foi construída. Fonseca faz a opção por capítulos curtos, que muito se assemelha a uma estrutura de entrevista, o que possibilita abordar uma maior variedade de eventos e sempre enriquecido com fotos dos bastidores e cartazes das produções.

Por falar em bastidores, ao revisitar obras como Os Saltimbancos Trapalhões e Os Trapalhões e o Mágico de Oróz  somos transportados para a nostalgia da infância, onde nas tardes de domingo o riso era presença certeira na maioria dos lares.


Dono de uma personalidade mais contida, Renato Aragão nos emociona com as lembranças da perda de seus companheiros Mussum e Zacarias, além de nos inspirar com um amor que beira a devoção que ele nutre por sua família e pelas crianças do Brasil. E como não poderia deixar de citar, o seu alter ego Didi Mocó, de alma extrovertida e brincalhona, somos convidados a cuidarmos da nossa criança interior e de todas aquelas que nos trarão um futuro melhor.


Renato Aragão – Do Ceará para o Coração do Brasil é uma obra familiar e que homenageia a memória do Brasil. Um singelo agradecimento a esse trapalhão que a tanto nos encantou e ainda hoje continua nos mostrando o valor de um sorriso e a beleza de se doar para o outro. É indicado para todos, em especial para aqueles interessados em produções artísticas é um prato riquíssimo de ensinamentos e história televisiva.


Sinopse:


Quem é esse homem batizado Antonio Renato Aragão? Quem é esse artista que há cinco décadas, no cinema e na TV, faz gerações e gerações de brasileiros sorrirem? E o que faz Renato Aragão, aos 82 anos, acreditar que “ainda há muito a fazer”?
Em um dos textos de apresentação de Renato Aragão: Do Ceará para o coração do Brasil , o próprio artista toma a palavra e se dirige ao leitor para dizer: “Este livro é uma forma de saciar a curiosidade que as pessoas... possam ter sobre o percurso que venho fazendo... Bom, esta é uma viagem para dentro de mim. Uma viagem feita de saudades, memória e muita gratidão.”
Rodrigo Fonseca, roteirista e crítico de cinema, é quem nos conduz ao longo desta grande e bela viagem pela vida e alma de Renato Aragão. Baseado nas memórias do artista e em meticulosa pesquisa, o autor nos conta a trajetória de Aragão desde o nascimento em Sobral, no Ceará, em 1935, até o momento em que o criador do Didi assiste ao lançamento da nova geração de Os Trapalhões, em 2017.
Ricamente ilustrado, o livro conta ainda com uma seção de depoimentos de diversas personalidades, tais como: Caetano Veloso, Fernanda Montenegro, Maria Bethânia, Dedé Santana, Cacá Diegues, Daniel Filho, José Padilha, entre tantos outros.