segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Lidos | Outubro 2021

Fala, pessoal! Mais um mês se finda e com ele trago para vocês algumas indicações de leituras por meio dos livros que pude conferir. Como poderão ver abaixo, outubro foi um mês de leituras mais relaxantes. Comecei com um clássico que só conhecia por conta do filme, passei por uma leitura que esperava me emocionar bastante e finalizei com uma obra do maravilhoso Jostein Gaarder.

Vamos a eles:

O Jardim Secreto (Frances Hodgson Burnett, Zahar)

- Sinopse:

Ao perder os pais numa epidemia de cólera na Índia, onde nasceu e foi criada, a pequena e mimada Mary Lennox é enviada para viver na lúgubre mansão de seu tio, no coração da Inglaterra rural. Deprimido pela morte da esposa, o tio está sempre viajando, enquanto seu filho Colin, primo de Mary, passa a vida na cama como inválido. Solitária, Mary tenta se divertir vasculhando a propriedade, até que descobre um segredo incrível: o deslumbrante jardim de sua falecida tia, trancado e abandonado.

A descoberta do jardim faz com que Mary conheça Dickon, menino que conversa com os animais e as plantas, e se aproxime do primo, que volta a sair da casa numa cadeira de rodas improvisada. Assim, a amizade das três crianças e o encantamento causado pelo jardim começam a transformar a vida de todos na casa.

- Motivos para ler:

A obra é uma história encantadora de transformação e empatia. Um clássico da literatura inglesa infantojuvenil adorado há mais de um século por leitores de todas as idades e que tem como tema central o poder da amizade para superar as adversidades da vida.

- Curiosidades:

Publicado em 1911, O jardim secreto já inspirou diversas adaptações para teatro, TV e cinema.

 

A Segunda Vida de Missy (Beth Morrey, Intrínseca)

- Sinopse:

Em 1959 Millicent Carmichael, a Missy, casou-se com o homem que amava. Passados cinquenta anos, sem ele e com dois filhos criados e distantes, ela está sozinha. Embora se apresse em dizer que considerava seu papel de dona de casa e mãe pouco satisfatório, a verdade é que Missy devotou toda uma vida à família e suprimiu qualquer ideia de carreia em função do sucesso do marido. Agora que ele não está mais a seu lado, que ela brigou com a filha e que o filho se mudou para a Austrália com o neto que Missy tanto ama, ela passa os dias bebendo xerez, evitando as pessoas e vagando pela casa enorme e mal decorada esperando não se sabe o quê.

Missy não lembra, mas ela é fabulosa. Um pouco difícil, sim, e cabeça-dura, mas também generosa e espirituosa, um tanto à moda antiga. Sua falta de traquejo para lidar com a vida esvaziada de tudo que antes lhe conferia valor começa a parecer um caminho sem volta, até que, em uma de suas raras saídas à rua, um desmaio em pleno parque faz com que uma desconhecida se aproxime. Esse é o primeiro de uma série de acontecimentos fortuitos - uma invasão, uma cadela adorável sem raça definida precisando de uma lar - que, aos poucos, vão carregando ao redor da mulher solitária um grupo improvável de maravilhosos estranhos. Rodeada por essa comunidade alegre e diversa que encarna as várias formas de amar, Missy encontra uma nova razão para viver.

- Motivos para ler:

Retrato emocionante e reflexivo sobre a vida adulta e o envelhecimento, com direito a uma reviravolta final que dá vontade de voltar as páginas e buscar todas as pistas. A segunda vida de Missy é um retrato sensível da vida de um idoso que fica longe da família e, uma celebração de como os dias comuns podem ser extraordinários quando a gente se abre para a vida e se cerca das pessoas certas.

 

A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken (Jostein Gaarder e Klaus Hagerup, Companhia das Letras)

- Sinopse:

Nils tem doze anos e acaba de voltar das férias escolares de verão, passadas em companhia de sua prima Berit, na cidade de Fjærland, interior da Noruega. Para não deixar de se falar, os dois decidem escrever um diário e remetê-lo de uma cidade a outra pelo correio.

Já de início, porém, parece haver algo de misterioso no diário de Nils e Berit. Ao comprá-lo numa livraria, Nils conhece uma mulher estranha, alguém que ele e Berit haviam visto de passagem durante as férias. A mulher faz questão de ajudar Nils a comprar o diário - uma esquisitice que ele não deixa de contar à prima já em sua primeira "carta".

Em Fjærland, Berit se põe a segui-la. Diante da casa da mulher, Berit "furta" um pequeno envelope da caixa de correio. Dentro, encontra uma carta vinda da Itália, endereçada a uma certa Bibbi, que menciona um sebo em Roma. O estabelecimento guardaria não apenas livros raros, mas também livros ainda não escritos. E um desses livros se refere a uma certa "biblioteca mágica".

Toda essa história Berit conta a Nils em sua primeira carta. A aventura mal começou, mas o leitor já se vê mergulhado num grande mistério. Quem é Bibbi e que biblioteca mágica é essa? É um caso para os pequenos detetives Nils e Berit investigarem a fundo - e tudo aquilo de que o leitor precisa para se divertir pelas páginas restantes. Em A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken, o grande herói é o livro e sua história, numa trama cheia de suspense e aventura.

- Motivos para ler:

A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken é uma história de mistério e aventura, que tem como protagonista dois jovens e a história do livro. Nessa viagem temos como diferencial um livro contado em sua grande parte, em formato de carta. Com cenários diversos e um bom plot, Gaarder nos convida mais uma vez a adentrarmos na sua escrita e ao fim dessa viagem, não seremos mais os mesmos que entramos.

domingo, 17 de outubro de 2021

Citações | A Segunda Vida de Missy (Beth Morrey)

 

  • "Todo coração canta uma música incompleta, até outro coração sussurá-la de volta.” – 07
  • “... não havia lacunas nem fraquezas, para começo de conversa. Homens e mulheres, mulheres e mulheres, mães e filhos, até idosas e cães: o amor era apenas amor, só isso. Falho, desigual, complicado, desencontrado, mas ainda essencial.” - 166

domingo, 10 de outubro de 2021

Resenha | O Mito da Beleza (Naomi Wolf)


* Por Beatriz Barbosa

Atualmente, as discussões sobre o protagonismo feminino nos diversos espaços da sociedade se intensificaram e muitos movimentos foram criados em torno desse debate. Um importante desdobramento diz respeito a questão estética, que por muitos anos as indústrias ditavam as regras e traziam inúmeras imposições para que as mulheres pudessem seguir, e agora o número de mulheres que tem buscado voltar ao seu natural tem crescido muito.

Apesar de todo destaque que essa temática tem ganhado, seja na imprensa ou nas redes sociais, esse tema já vem sendo debatido a muito tempo e um dos nomes, que podemos considerar como pioneira, é o de Naomi Wolf com sua obra O Mito da Beleza, lançado no Brasil pela editora Rosa dos Ventos.

Em sua obra, que é considerada como um dos livros mais importantes da terceira onda feminista, a autora confronta a indústria da beleza, tocando em assuntos difíceis, como distúrbios alimentares e mentais, desenvolvimento da indústria da cirurgia plástica e da pornografia e afirma que o culto à beleza e à juventude da mulher é estimulado pelo patriarcado e atua como mecanismo de controle social para evitar que sejam cumpridos os ideais feministas de emancipação intelectual, sexual e econômica conquistados a partir dos anos 1970.

O mito da beleza foi uma leitura essencial para mim. Sabe aquele livro que te ajuda a desconstruir conceitos enraizados durante toda uma vida dentro de você? Pois bem, foi assim que me senti com cada página, cada capítulo. Levei alguns meses para digerir tudo que era dito e ir aos poucos descontruindo em mim aquilo que foi durante muitos anos a minha verdade - estou passando por um processo de transição e esse livro foi um alento e uma certeza que eu estava no caminho certo.

Escrito em 1991, Naomi ouviu vários relatos de mulheres que -independentemente da idade, classe social -, viviam os mesmos dilemas e sofrimentos: o medo de envelhecer, a luta pela magreza, a busca pelo corpo ideal e a imagem perfeita. Mas o perfeito realmente existe? O que existe por traz desse interesse para que as mulheres se preocupem mais com sua própria imagem do que em ser feliz? Vamos descobrindo que a felicidade não vende, mas o sofrimento sim.

“A ‘’beleza” é um sistema monetário semelhante ao padrão ouro. Como qualquer sistema, ele é determinado pela política e, na era moderna no mundo ocidental, consiste no último e melhor conjunto de crenças a manter intacta o domínio masculino. Ao atribuir valor as mulheres em uma hierarquia vertical, de acordo com um padrão físico imposto culturalmente, ele expressa relações de poder as quais as mulheres precisam competir de forma antinatural por recursos dos quais os homens se apropriaram... A medida em que as mulheres iam exigindo acesso ao poder, esta estrutura recorreu ao mito da beleza para prejudicar de forma substancial o progresso das mulheres.”

Esses conceitos foram evoluindo desde a Revolução Industrial, então notamos que não é de agora que o mito foi construído e para ser ainda mais triste ele foi criado para as mulheres ter cada vez menos acesso ao poder. Uma mulher preocupada com sua imagem, insegura, infeliz não consegue facilmente conquistar espaços cada vez maiores e nem cargos que são dominados por homens. E assim foram existindo a rivalidade entre as mulheres, a competição para saber quem realmente é a mais “perfeita”.

A partir disso a indústria vai crescendo, produtos para rejuvenescer são criados, emagrecedores, modeladores. Os padrões são modificados conforme cada época e as mulheres tentando se adaptar.

Bem, como disse logo no início assim como tantas mulheres eu também fui vítima e fui facilmente manipulada, o que foi me vendido era que eu teria sucesso se eu chegasse no padrão da pele perfeita, cabelo com o liso perfeito, não muito magra e nem acima do peso, ser simpática para que os homens não me chamassem de grossa quando não tivesse interesse neles. Desejei por muitos anos fazer cirurgias plásticas, sentir medo de não ser uma mulher ideal - O que eu conquistei com tudo isso? Transtorno de ansiedade, lesões no couro cabeludo por uso excessivo de químicas, muita queda de cabelo, baixa autoestima por ter que me ver no espelho de outra forma.

As consequências são enormes, Naomi tem um capítulo onde ela fala sobre essa violência que nós mulheres cometemos com nosso próprio corpo, tem mulheres que ficam inférteis por desejar tanto a magreza e viver nessa busca a todo custo e muitas vezes essa violência custa a própria vida. Quantas já morreram por cirurgias plásticas malsucedidas ou simplesmente porque a cirurgias foi feita sem que de fato existir a necessidade? E quantas na busca do padrão do corpo perfeito cai no golpe do falso profissional e vão a clínicas clandestinas para realizar esse sonho e morrem? Inúmeras. Muito mais do que possamos imaginar.

“As dietas líquidas já provocaram pelo menos 60 mortes nos estados unidos e seus efeitos colaterais incluem náuseas, perda de cabelo, tontura e depressão. A compulsão pelo exercício produz anemia e interrupção do desenvolvimento. Os implantes mamários tornam mais difícil detectar o câncer. As mulheres deixam para depois as mamografias, com medo de perder um seio e de se tornar mulher pela metade... O mito não está adoecendo as mulheres apenas sob o aspecto físico, mas também sob o mental (...) O estresse é um dos mais graves fatores de risco médico, prejudicando o sistema imunológico e contribuindo para a pressão alta, as doenças cardíacas e o aumento das taxas de mortalidade no câncer. Ainda pior, o mito da beleza na era da Cirurgia, na realidade, reproduz dentro da consciência das mulheres os sintomas clássicos da doença mental.”

Esses dados são de 20 anos atrás, na época não existia as redes sociais e as exigências dos tempos atuais. Hoje o Brasil cresceu muito em cirurgias plásticas, aumentou ainda mais a busca pela “beleza” ideal, infelizmente com tantas regras impostas também aumentou os casos de procedimentos malsucedidos, depressão e transtorno de ansiedade. Por outro lado, muitas mulheres têm despertado e lutando pela liberdade de ser quem é, do amor-próprio e da autoaceitação. Nunca é tarde, não importa o que você já fez até aqui, o quanto já sofreu, adoeceu e se mutilou. Lute verdadeiramente para ter a liberdade de ser quem é.

“uma consequência do amor-próprio feminino é a de uma mulher se convencer de seu valor social. Seu amor pelo próprio corpo será irrestrito, o que é a base da identificação feminina. Se uma mulher ama seu próprio corpo, ela não inveja o que mulheres fazem com o delas. Se ela ama sua feminilidade lutará pelos seus direitos.”

O Mito da Beleza é uma leitura necessária, não só para as mulheres, mas também para os homens, afinal as mudanças se mostram urgentes e fundamentais para que a sociedade não padeça de um adoecimento auto imposto e catastrófico.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Resenha | O Jardim Secreto (Frances Hodgson Burnett)

No mundo literário existem muitas obras conhecidas como Clássicos. São livros que possuem personagens atemporais e marcam inúmeras gerações de leitores, que mantêm a história viva e contribuem para o surgimento de novos fãs.

Uma dessas obras clássicas é O Jardim Secreto, da escritora Frances Hodgson Burnett, lançado inicialmente em 1911 e que ganha mais uma edição pelas mãos da editora Zahar; com tradução atualizada, comentário da obra, curiosidades sobre a autora, cronologia da vida e a obra da Burnett e uma linda capa dura.

A trama do O Jardim Secreto gira em torno da jovem Mary Lennox, uma criança mimada e mal-humorada que nunca se sentiu amada, que se torna órfã após uma tragédia e precisar sair de sua casa - nas Índias Britânicas - para morar com um tio misterioso na Inglaterra. Essa mudança de lar vai ensiná-la que a vida sempre estará pronta para acolher aqueles que estão dispostos a se aventurar.

A primeira vez que tomei conhecimento da história O Jardim Secreto foi através do filme lançado em 1993 e protagonizado por Kate Maberly e pude revisitar essa emocionante narrativa com a nova adaptação lançada em 2020 e protagonizada por Dixie Egerickx. Ao fim dos dois filmes, me senti muito emocionado e tocado pela forma singela da narrativa e pela bonita mensagem passada. Contudo, ao finalizar a leitura do livro pude constatar que eu não tinha compreendido todas as mensagens que a história trazia e que a obra se torna ainda mais relevante e necessária pelos temas abordados.

A escrita da Burnett é fluída e muito cativante. Ao longa da leitura, o leitor vai tendo suas emoções despertadas - como a alegria, angústia, tristeza, compaixão, raiva, medo e muitas outras - graças aos personagens cativantes e situações que criam uma rápida identificação.

Ainda é fundamental que se diga, o quanto a Burnett foi corajosa e feliz, por trazer nessas páginas seus dramas pessoais e assim fazer com que se discuta temas como o luto e a depressão. Esses temas provam como a obra é atemporal, pois são temas extremamente atuais e necessários para que sejam debatidos. Ainda sobre essa temática é importante pontuar que eles servem como ponto de partida da história- e justificativa para o comportamento dos personagens principais - e que aos poucos são transformados, na medida que o Jardim vai desabrochando - o que serve como uma metáfora interessante sobre o autocuidado e o poder dos nossos pensamentos.

O Jardim Secreto é um clássico infanto juvenil, recomendado para todas as pessoas que buscam uma obra edificante e com uma mensagem importante, e que convida a todos para voltarmos para nosso interior e tirar as ervas daninhas, deixando espaço para que a alma floresça.

Lidos | Setembro 2021

Fala, pessoal! Mais um mês se finda e com ele trago para vocês algumas indicações de leituras por meio dos livros que pude conferir. Como poderão ver abaixo, setembro foi um mês de boas surpresas e fui de uma biografia/memórias até uma fantasia nacional muito interessante.

Vamos a eles:

Lili: Novela de um Luto (Noemi Jaffe, Companhia das Letras)

- Sinopse:

Em fevereiro de 2020, aos 93 anos, falece Lili, sobrevivente do Holocausto, mãe de três filhas e viúva. Sua doença vinha se estendendo há tempos, mas isso não faz com que a dor de sua partida seja menor. A banalidade da causa, "uma infecção nos pés", é confrontada com um sentimento de descrença. Como é possível que aquela que sempre esteve presente não exista mais?

Com domínio narrativo único e uma honestidade perturbadora, Noemi Jaffe relata os primeiros dias após a perda da mãe, indo fundo em suas lembranças e seus anseios para produzir uma história sobre a morte, mas também sobre o que fica depois dela.

- Motivos para ler:

Com uma narrativa sensível e muito emotiva, a autora fala sobre as dores da perda, seu processo de luto e como é possível viver esse momento para que consiga seguir em frente.

 

A Casa Assombrada (John Boyne, Companhia das Letras)

- Sinopse:

Londres, 1867. Eliza Caine tem 21 anos e acaba de perder o pai. Totalmente sozinha, como os heróis de Dickens sobre os quais tanto lê, e sem dinheiro para pagar o aluguel na cidade, ela depara com o anúncio de um tal H. Bennet, que busca uma governanta para se dedicar aos cuidados e à educação das crianças de Gaudlin Hall, uma propriedade no condado de Norfolk, leste da Inglaterra. O anúncio, contudo, não menciona a idade ou quantas crianças são, nem mesmo dá qualquer outro tipo de explicação.

Eliza não vê alternativa além de largar o emprego de professora em uma escola só para meninas e partir para o condado, onde pretende começar uma nova vida. Chegando a Gaudlin Hall, no entanto, ela se surpreende ao encontrar apenas Isabella, uma menina que parece inteligente demais para sua idade, e Eustace, seu adorável irmão de oito anos. Os pais das crianças não estão. Não se veem criados. De fato, não há nenhum adulto na propriedade, e a identidade de H. Bennet permanece um mistério.

A governanta recém-contratada busca informações com as pessoas do vilarejo, mas todos a evitam. Nesse meio tempo, fica intrigada com janelas inexplicavelmente fechadas, cortinas que se movem sozinhas e ventos absurdos na propriedade. E logo coisas de fato assustadoras começam a acontecer.

- Motivos para ler:

John Boyne é um daqueles escritores constantes que possuem uma escrita fluída e que arremata os leitores já nas primeiras páginas. Aqui ele foge de sua zona de conforto e entrega uma história cheia de mistério que em muitos momentos faz o coração bater mais depressa.

 

O Espadachim de Carvão (Affonso Solano, Casa da Palavra)

- Sinopse:

Kurgala é um mundo abandonado por Quatro Deuses. Adapak é filho de um deles. E agora ele está sendo caçado. Perseguido por um misterioso grupo de assassinos, o jovem de pele cor de carvão se vê obrigado a deixar a ilha sagrada onde cresceu e a desbravar um mundo hostil e repleto de criatura exóticas. Munido de uma sabedoria ímpar, mas dotado de uma inocência rara, ele agora precisará colocar em prática todo o conhecimento que adquiriu em seu isolamento para descobrir quem são seus inimigos. Mesmo que isso possa comprometer alguns dos segredos mais antigos de Kurgala.

- Motivos para ler:

A literatura nacional vive. Affonso Solano é um escritor da mesma grife que Raphael Dracoon, Raphael Montes e outros. O universo de Kurgala e suas criaturas fantásticas são ricas em detalhes e traz ação, paixão e aventura em doses capazes de prender até o mais resistente dos leitores. A saga de Adapak tem fôlego e material para render inúmeros volumes.

 

O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur (Affonso Solano, Leya)

- Sinopse:

“Ninguém viaja mais rápido que Puzur.” Lutando para se adaptar ao mundo dos mortais, Adapak se refugia no navio de Sirara, farto de lidar com os segredos do passado. Mas quando um antigo diário cai em suas mãos, o Espadachim de Carvão acaba por mergulhar nos registros de alguém responsável por influenciar não somente sua vida, mas a história de Kurgala – uma menina forçada a acompanhar a jornada de um ladrão desesperado, disposto a violar as regras mais antigas que os Quatro Que São Um deixaram para trás. Quem foi Puzur? O que procurava? Enquanto viaja pelas páginas do tempo, Adapak desconhece que sua curiosidade está prestes a colocá-lo sob a ameaça de algo que ele mesmo possa ter desencadeado.

- Motivos para ler:

Na continuação do Espadachim de Carvão, somos apresentados a Puzur, um personagem que tem muito em comum com nosso herói e carrega junto de si, uma arma capaz de mudar o destino de Adapak e todo o mundo.

Solano mantem sua escrita ágil e detalhista, e entrega as mesmas emoções e aventura da edição anterior. Além de novos personagens que mereciam uma obra a parte.

- Curiosidade:

O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur é o segundo volume da história do Espadachim de Carvão e que já ganhou um spin off chamado Tamtul e Magano e a Ameaça de Rumbada e tem o terceiro volume em produção, que se chamará O Espadachim de Carvão e a Voz do Guardião Cego.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Citações | O Espadachim de Carvão (Affonso Solano)


 
  • "A distância entre nós e o que desejamos superar deve ser decidida por nós mesmos, e não somente pela natureza...” – 79
  • “... a curiosidade vence o medo de maneira mais eficaz que a bravura.” – 80
  • “... a tendência das pessoas inseguras é ferir ou afastar delas aquilo que não compreendem.” – 82
  • “... o segredo não resiste nos instrumentos, mas na técnica.” – 114
  • “A sabedoria não está em se domar o poder, mas na forma de se utilizá-lo.” - 163

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Resenha | A Casa Assombrada (John Boyne)

 


Entre o céu e a terra, existem mistérios que fogem à compreensão humana. Esses fenômenos inexplicáveis e que são sustentados pela fé foram explorados ao longo dos anos através de produções cinematográficas, literárias, entre outros.

Mostrando toda a sua grandeza como contador de histórias, John Boyne foge da sua zona de conforto e apresenta um enredo de dar calafrios aos seus leitores, no seu livro A Casa Assombrada.

Lançado no Brasil pela Companhia das Letras, a narrativa nos apresenta a jovem Eliza Caine, que após uma grande perda na vida, resolve aceitar um trabalho em outra cidade, a fim de recomeçar e deixar as lembranças triste para trás. Contudo, ela está prestes a descobrir que o mundo real pode ser tão (ou até mais) assustador que os livros que ela tanto ama.

“Somos todos animais sob nossas peles? Mascaramos nossos instintos com palavras bonitas, roupas e comportamento aceitável? Dizem que, se nos entregássemos aos nossos desejos verdadeiros, avançaríamos uns sobre os outros com uma sede de sangue sem precedentes, todos nós.”

A Casa Assombrada é uma leitura frenética. Seu ritmo um tanto cadenciado nas primeiras páginas, ficam longo para trás, abrindo espaço para uma sequência de mistério, investigação e ação - que envolve assassinatos, uma cidade interiorana que resiste a forasteiros e muitos pesadelos; que torna impossível parar de ler.

Ao longo da obra, Boyne mostra toda sua sagacidade, com personagens criados de forma rica em detalhes e que passam para o leitor todas as emoções dos acontecimentos narrados. Além disso, a ambientação do livro é um destaque a parte. A Inglaterra da era vitoriana já oferece um contexto tenebroso e que faz palpitar o coração dos leitores – seja na capital, suja e com uma neblina fantasmagórica; ou ainda no interior, com habitantes pouco acolhedores e com uma áurea misteriosa.

Depois de sucessos como O Menino do Pijama Listrado e O Garoto no Convés, John Boyne mostra toda a sua versatilidade como escritor e traz uma obra capaz de atrair atenção dos fãs mais fervorosos de Stephen King e presentear os desavisados com noites insones.