sábado, 4 de setembro de 2021

Resenha | A Vida Perfeita Não Existe (Daiane Garbin)

 * Por Beatriz Barbosa


A história de formação da sociedade humana sempre teve o "protagonismo" de homens "bem-intencionados" que apoiados pelos grupos de poder e dos que detinham a riqueza da época, ditaram costumes, modos e o ideal para a população; relegando às mulheres a um lugar de coadjuvantes - que apesar da resistência, ainda buscam romper com essas amarras. Hoje, esse modelo patriarcal de organização, ainda resiste e tem um importante aliado nas redes sociais. Muitos influenciadores digitais, na busca de likes e recursos, reforçam estereótipos, vendem padrões irreais e uma perfeição produzida pelos inúmeros filtros de aplicativos.

Sobre esse contexto das influências das redes sociais em nossas vidas, a autora Daiana Garbin nos convida à leitura do seu mais novo livro A Vida Perfeita não Existe. Lançado pela editora Sextante, a autora se abre para os leitores e através de um doloroso processo pessoal divide conosco sua jornada à procura de respostas. Com base em estudos, pesquisas, entrevistas com especialistas e depoimentos, ela traça um panorama da frustração que sentimos ao perseguir um tipo de felicidade irreal e mostra como encontrar coragem para adotar uma nova atitude em relação a vida.



A escritora faz uma abordagem sobre os nossos sentimentos mais intimidadores e as nossas dificuldades de lidar com eles. A leitura da obra se parece com uma conversa entre amigas, na qual alguém conta sobre um problema e o que foi feito para chegar nas condições atuais. Esse caminho é desnudado por relatos fortes e emocionantes, tanto da autora como também de alguns de seus leitores, o que nos provoca reconhecimento e compaixão.

Faz parte da natureza humana sentir medo, raiva, ciúmes. Por outro lado, tem sentimento que parece absurdo ser sentido e é um verdadeiro tabu se falar nisso - como a inveja. Em um dos seus relatos, Daiana reconhece que sente inveja desde a infância e o quanto ela sofreu com isso.

“Eu hesitei e depois comecei a chorar; não queria falar alto a palavra “inveja”. Eu não podia sentir aquilo afinal é um sentimento hostil, agressivo. Queria ser uma pessoa boa e, na minha cabeça, pessoas boas não sentem inveja. Mas acabei percebendo que o que sentir naquele momento foi, sim, inveja. Chorei muito, não conseguia me perdoar por algo tão terrível.”

Aprender a reconhecer os nossos sentimentos nos faz ter mais percepção sobre nós mesmos e a partir disso trabalharmos no nosso desenvolvimento. Contudo, para chegar a esse grau de evolução, precisamos rever os nossos condicionamentos, uma vez que desde muito novos, somos ensinados a reprimir os sentimentos ditos ruins e como consequência sentimos vergonha, culpa. Vergonha de ser quem somos, de não ser aceito, não ser amado, de não fazer parte de um grupo social ou de um padrão estético. Uma pessoa não nasce sentindo vergonha, ela é externa, aprendemos a senti-la.

“O que vai ditar as vergonhas que vão se manifestar é tudo aquilo que você aprendeu, ouviu e vivenciou desde a infância (...)”

Garbin se aprofunda nessa questão dos sentimentos que nos é incutido desde a infância, ao abordar sobre as vergonhas direcionadas ao corpo. Nos dias atuais é muito comum nos deparar com pessoas insatisfeitas com o corpo que possui. O corpo deixou de ser um templo sagrado, a nossa casa, o lugar que nós habitamos e virou um inimigo a ser combatido - virou alvo de ataques. Sentimentos de ódio, rejeição, raiva, culpa, vem ganhando espaço e com eles, a dificuldade em olhar o próprio corpo no espelho, características de um transtorno de imagem - no qual a pessoa tem dificuldades em enxergar a sua imagem real e não distorcida pela ideia do que seria perfeito.

“Em meus estudos e pesquisas, descobrir que a vergonha relacionada a imagem corporal é quase unanimidade entre as mulheres e muito presente nas inquietações dos homens. E que a vergonha da forma do corpo é, na verdade, vergonha de algo que aquele corpo viveu ou desejou.”

Existe muitos relatos fortes de mulheres que sentem vergonha do próprio corpo por uma série de motivos: por odiar ser “magra”, por odiar ser “gorda”, pela vergonha de fracassar, não ser boa namorada e nem boa filha... e uma forma de escape/ autopunição que encontram é através da mutilação, outras ficam anoréxicas ou obesas por nojo e culpa de terem sofrido abuso.  Esses fenômenos não se limitam a faixa etária e nem condições financeiras, o que evidencia que a raiz do problema está na forma como aprendemos a nos relacionar com o nosso corpo, com as nossas dores.

“Para lidar com um sofrimento, seja ele qual for, é preciso primeiro perder a vergonha de senti-lo e, ao invés disso, aceita-lo, dar-lhe acolhimento incondicional no lugar de querer fazê-lo desaparecer. Ele já está aqui, não vai sumir sozinho. Suas feridas mais profundas precisam ser reconhecidas, aceitas, tiradas das sombras, para que assim você possa suavizá-las”.

Outro tema abordado no livro é o sentimento de insuficiência. A autora, mesmo tendo sucesso profissional, se sentia incompleta e se enxergava sozinha, desolada, fracassada por coisas que ela não conquistou - como por não ter o corpo magro como desejou ou pelos caminhos profissionais que ela percorreu.

“Perdemos a capacidade de gostar de nós mesmas quando passamos a viver de um jeito perigoso: baseado na comparação, na competição, na inveja, na desqualificação dos outros, idealizando uma vida plena/perfeita e não aceitando que erros, fracassos e vazios são partes inevitáveis da vida.”

Quando comecei a ler esse livro eu não imaginava que Daiana teria tanta razão em dizer o quando esse livro iria incomodar. Passei anos na minha vida me sentindo insuficiente, incompleta e nada em mim bastava. Então eu busquei preencher vazios, sempre buscava ter minha mente ocupada e assim foi por anos. Quando entrei na faculdade eu me dediquei absurdamente, coloquei os estudos acima do meu bem-estar, eu queria alcançar um espaço, eu acreditava que assim eu me sentiria plena e completa. Mas nada disso ainda era bom o suficiente. Eu não me sentia feliz por muito tempo com algo que eu conquistasse, estava sempre presa naquilo que ainda não conquistei.

“Vivemos uma busca eterna por algo que nunca chega. A vida idealizada nunca chega. A felicidade idealizada nunca chega. O corpo idealizado nunca chega. O dinheiro idealizado nunca chega. Estamos perpetuamente angustiados deixando nossa vida passar.”

Daiana ressalta que a vida perfeita realmente não existe, nem para ela, nem para mim e muito menos para você. Somos humanos, temos emoções, sentimos dores, sofremos, coisas boas e ruins acontecem em nossa vida. Pessoas vão embora, outras chegam. Não temos como controlar os acontecimentos. Mas podemos identificar o que sentimos, reconhecer e cuidar com amor e carinho para suavizar.

“Viver de modo respeitoso é saber que posso contar comigo para enfrentar os desafios da vida. É me considerar uma aliada, uma amiga, e não minha pior inimiga. É saber que eu posso me acolher, me respeitar, me abraçar, sentir amor e carinho por mim mesma. É ter coragem e a responsabilidade de aceitar e admitir meus erros e defeitos, meu lado obscuro, e mudar, porque me amo e me respeito.”

Depois de muitas reflexões, relatos, trechos de livros que foram necessários na vida da escritora, ela nos convida a voltar para nossa casa. Nosso corpo estará ali conosco até o final da nossa vida. Mesmo que você não se sinta feliz por ele não ser como gostaria é necessário se olhar com respeito e cuidar da casa que te acolhe todos os dias.


Lidos | Julho e Agosto 2021

Fala, galera! Desculpem pelo sumiço. Em julho entrei de férias e logo em seguida fiquei sem computador, terminei não conseguindo indicar minhas leituras para vocês. Assim, nesse post estão as obras que li nos últimos dois meses.

Vamos a eles:

Árvores dos Desejos (Katherine Applegate, Intrínseca)

- Sinopse:

Red é um carvalho centenário que já viu de tudo um pouco em seus muitos anos de vida. Também é a árvore dos desejos do bairro, e todo ano, no dia 1° de maio, as pessoas amarram em seus galhos fitas ou tiras de tecido com os mais diversos pedidos, sonhos e anseios.

Não é da natureza das árvores se intrometer na vida dos humanos, por isso, Red sempre ouve tudo com muita atenção, em silêncio. Mas então, numa noite fria, o pedido sussurrado da solitária Samar faz Red perceber que talvez tenha chegado a hora de sua voz ser finalmente ouvida.

- Motivos para ler:

A obra é uma fábula moderna que fala sobre o poder da amizade e a empatia. Um livro capaz de aquecer até os mais gélidos dos corações e renovar a esperança de todos aqueles - otimistas - num mundo melhor e mais acolhedor.

- Curiosidade:

Árvore dos Desejos é a mais nova obra da autora Katherine Applegate, que teve seu livro O Grande Ivan, adaptado para as telonas.


Eu, Tituba: Bruxa Negra de Salem (Maryse Condé, Rosa dos Ventos)

- Sinopse:

Tituba, mulher negra, nascida em Barbados, no século XVII, renasce, três séculos depois. Torna-se outra vez real, pelas mãos da premiada escritora Maryse Condé. No início do livro, Maryse Condé anota: “Tituba e eu vivemos uma estreita intimidade durante um ano. Foi no correr de nossas intermináveis conversas que ela me disse essas coisas que ainda não havia confiado a ninguém.” Da mesma forma, quem lê Tituba poderá ouvi-la falar, do invisível, desestabilizando estruturas cristalizadas, mediando novas concepções de identidades e culturas e protegendo as pessoas insurgentes.

Aqui, essa personagem fascinante, é retirada do silêncio a que a historiografia lhe destinou. Filha de uma mulher negra escravizada, viveu cedo o terror de ver a mãe assassinada por se defender do estupro de um homem branco e de saber que o pai se matou por causa do mesmo homem branco. Cresceu sob os cuidados de uma mulher que tinha o poder da cura e que a iniciou nos mistérios. Adulta, apaixonou-se por John Indien e abdicou, por ele, da própria liberdade.

Uma das primeiras mulheres julgadas por praticar bruxaria nos tribunais de Salem, em 1692, Tituba fora escravizada e levada para a Nova Inglaterra pelo pastor Samuel Parris, que a denunciou. Mesmo protegida pelos espíritos, não pôde escapar das mentiras e acusações da histeria puritana daquela época.

- Motivos para ler:

A obra é um resgate histórico de um dos episódios mais tristes de nossa história, quando inúmeras mulheres foram perseguidas e condenadas por conta de supostas práticas de bruxaria.

Mais do que fazer justiça com a personagem de Tituba, que foi apagada da narrativa histórica. O livro é um relato forte e de forma bem direta nos convida a refletir sobre as injustiças e estruturas de poder que busca se manter até os dias atuais, as custas das minorias que são postas na condição de invisibilidade.

- Curiosidade:

Maryse Condé foi vencedora do New Academy Prize 2018 (Prêmio Nobel Alternativo).

 

Dragões de Éter: Estandartes de Névoa (Raphael Draccon, Melhoramentos)

- Sinopse:

Hoje é um dia especial para Nova Ether e para todos leitores e fãs que mantiveram seus Reis, Rainhas, Bruxas e Fadas vivos. Após 13 anos de espera, o desfecho da fantástica série Dragões de Éter ficou pronto.

Estandartes de Névoa traz todas as respostas para os questionamentos e dúvidas até então não resolvidos nos outros livros. Com desfecho surpreendente e inusitado, Raphael Draccon presenteia os leitores com tudo o que pediram e merecem saber sobre o destino de Maria Hanson, Axel Branford e Livith.

O Continente Nascente finalmente é trazido à tona na história, assim como os povos e perigos existentes nele. Também são reveladas a identidade da Virgem de Trigger – destinada a gerar o novo Merlim – e a ascensão do verdadeiro Pendragon!

O mundo de Nova Ether como se conhecia não existe mais. Não apenas mudou, como nunca mais será o mesmo! Chegou a hora de vivermos um último e emocionante sonho, escrito e pensado exclusivamente para você, leitor!

- Motivos para ler:

Depois de 13 anos desde o lançamento do terceiro volume da quadrilogia Dragões de Éter, Raphael Draccon presenteia os fãs com a conclusão de uma história incrível.

A leitura vale tanto pela nostalgia de podermos revisitar um mundo habitado por heróis e personagens que já amamos desde a infância, quanto pela escrita criativa e apaixonante, como só um verdadeiro contador de história é capaz de ter.

- Curiosidade:

Estandarte de Névoa é o quarto volume da quadrilogia Dragões de Éter.

Citações | Dragões de Éter: Estandartes de Névoa (Raphael Draccon)

 

  • "... os sonhos não são fragmentos de momentos. Isso seriam memórias. Os sonhos seriam uma experiência viva; uma experimentação imaginada com certa dificuldade no passado, vivida no presente daquele momento. Enquanto houvesse a vivência esse sonho existiria, antes ou depois de ela concretizada. Quando essa vivência não mais continuasse, ele teria se tornado apenas uma memória.” – 17 e 18
  • “Você já imaginou ... se cada pessoa que sofre uma perda, se cada ser humano neste planeta que passa por uma provação que considera injusta aos seus olhos resolvesse canalizar ódio na direção de algo ou de alguém?” – 58
  • “Aquele ainda era um mundo onde pessoas inocentes pagavam e pessoas culpadas se inocentavam, ao menos até que as inocentes abandonassem a pureza e as culpadas passassem a temê-las.” – 121
  • “Amor é dar de si. Paixão é querer para si.” – 146
  • “... em um céu de um milhão de estrelas, quem se importa se mais uma luz se apagar?” – 151
  • “Existem coisas que podemos ter, mas não podemos manter.” – 192
  • “Todos guardamos o melhor e o pior do mundo dentro de nós. E passamos a vida tentando descobrir o que é real e o que não é dentro de nós.” – 294
  • “No fim das contas, sabe por que a decepção dói tanto? Porque ela nunca vem de um inimigo.” – 299
  • “...uma grama de atitude vale mais que uma tonelada de promessas.” – 390
  • “... quando as correntes caem, os acorrentados descobrem sua força, e aqui estamos, destruindo sem dificuldades todas as ideias de força e superioridade de sua sociedade.” – 407
  • “... a dor purifica mais rápido. Mas o amor purifica mais forte.” – 424
  • “... é mais fácil treinar um homem para chegar ao poder do que treiná-lo para saber o que fazer com o poder.” – 426

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Citações | Eu, Tituba: Bruxa Negra de Salem (Maryse Condé)


  • "Parecia que o destino das mulheres era ainda mais doloroso que o dos homens. Para que se libertassem de sua condição, elas não deveriam passar pelas vontades dos homens que as mantinham em escravidão e deitar na cama deles?" - 28
  • "Os mortos só morrem se morrerem também em nosso coração. Eles vivem se nós os cultuamos, se honramos suas memórias, se colocamos sobre seu túmulo as mesmas comidas que eram de sua preferência quando estavam vivos, se em intervalos regulares nos recolhemos para comungar em sua memória." - 33
  • "A morte da alma nos rebaixa." - 66
  • "É estranho o amor ao país! Nós o carregamos dentro, com nosso sangue, com nossos órgãos. E basta que sejamos separados da nossa terra para sentir uma dor que surge do mais profundo de nós mesmos sem nunca diminuir." - 81
  • "Para uma escravizada, a maternidade não é uma alegria. Ela vem para expelirmos, em um mundo de servidão e abjeção, um pequeno inocente, cujo destino será impossível de mudar." - 83
  • "... a maldade é um dom recebido no nascimento. Não é adquirido. Aqueles de nós que não vieram ao mundo armados com esporas e ganchos saem perdendo em todas as lutas." - 113
  • "As palavras ouvidas têm a mesma consistência dos sonhos e apresentam essa particularidade de poderem ser facilmente esquecidas." - 185
  • "Bendito seja o amor que dá ao homem o esquecimento. Que o faz esquecer sua condição de escravizado. Que recolhe a angústia e o medo!" - 239

domingo, 18 de julho de 2021

Resenha | Árvore dos Desejos (Katherine Applegate)

 


Há uma dualidade no coração da humanidade. No mesmo momento em que temos pessoas capazes de gestos altruístas e generosos para com o próximo; há aqueles que perdidos e desorientados tentam espalhar o caos no mundo.

"Queria dizer que amizade não tem que ser complicada. Que às vezes nós é que permitimos que o mundo a transforme em uma coisa difícil."

Essa dualidade da natureza humana é o ponto de partida para a história de Árvore dos Desejos, o mais novo livro da autora Katherine Applegate, que chega no Brasil pela editora Intrínseca e em uma edição muito especial, com capa dura e projeto gráfico incrível.

Na trama, acompanhamos a história de Red, um carvalho antigo e que recebe anualmente em seus galhos centenas de desejos. Um desses pedidos, foi feito pela Samar, uma menina de coração puro e que se sente muito solitária. É quando nosso improvável carvalho, resolve quebrar as regras e interferir nas histórias que ele sempre viu como expectador.

"Todos esses anos, os desejos têm sido uma bênção e um fardo. Mas a verdade é que todo mundo precisa de um pouco de esperança."

Árvore dos Desejos em uma primeiro momento, pode dar ideia de se tratar de um livro infantil. Contudo, ao longo da leitura vamos identificando mensagens para o público de todas as idades. Com uma narrativa mais próxima da fábula, vamos acompanhando importantes lições sobre companheirismo, acolhimento, amizade, respeito, empatia e coragem, resiliência, origens.

A autora com muita sensibilidade se utiliza de elementos da natureza - árvores e animais - para tratar de um tema complexo, nesta história a questão da xenofobia; e por tabela traz ensinamentos aos humanos sobre como viver em harmonia e sobre a coragem de lutar por aquilo em que acreditamos ser justo e o mundo que queremos.

Árvore dos Desejos é um livro de leitura fácil, mas com uma história importante e que tocará nos nossos sentimentos mais profundo. É uma obra ideal para quem busca uma leitura edificante e para os amantes de animais. Depois do livro O Grande Ivan, a Applegate acerta mais uma vez, e nos oferece uma grande história, que ao virar das últimas páginas estaremos com o coração quentinho e com a esperança renovada.

"Se esta história fosse um conto de fadas, eu diria que uma mágica aconteceu naquele dia dos desejos. Que o mundo mudou e que vivemos todos felizes para sempre. Mas estamos falando da vida real. E a vida real, como um bom jardim, é uma bagunça. Algumas coisas mudaram, Outras, não. Mesmo assim, otimista que sou, ainda tenho muita esperança no futuro."


segunda-feira, 12 de julho de 2021

Citações | Árvore dos Desejos (Katherine Applegate)

 

  • "Ocos são a prova de que uma coisa ruim pode se transformar em uma coisa boa, com a dose certa de tempo, cuidado e esperança." - 33
  • "Queria dizer que amizade não tem que ser complicada. Que às vezes nós é que permitimos que o mundo a transforme em uma coisa difícil." - 134
  • "Todos esses anos, os desejos têm sido uma bênção e um fardo. Mas a verdade é que todo mundo precisa de um pouco de esperança." - 157
  • "Se esta história fosse um conto de fadas, eu diria que uma mágica aconteceu naquele dia dos desejos. Que o mundo mudou e que vivemos todos felizes para sempre. Mas estamos falando da vida real. E a vida real, como um bom jardim, é uma bagunça. Algumas coisas mudaram, Outras, não. Mesmo assim, otimista que sou, ainda tenho muita esperança no futuro." - 213

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Lidos | Junho 2021

Fala, galera! Mais um mês que chega ao fim e é tempo de revisitar as leituras e contar um pouquinho delas para vocês. Junho, teve visita a uma nova fantasia (nacional); pude rever a escritora mais macabra de todas e aprender um pouco mais sobre a morte; e, por fim, li minha primeira HQ do ano e da Marvel.

Confiram abaixo mais detalhes sobre o livros:

Mundo Desolado (Eduardo Krauze, Pendragon)

- Sinopse:

Em um mundo consumido pela desolação dos desertos, Kalian vive uma vida simplória em uma aldeia distante o suficiente de qualquer outra civilização para ter sido completamente esquecida pelo resto do mundo.

Sua vida pacata, no entanto, muda bruscamente depois de um encontro fatídico que sela seu destino, obrigando-o a deixar tudo para trás e partir em uma jornada através de um mundo selvagem e repleto de perigos, rumando em direção ao tão sonhado continente. Durante esta jornada a magia o acompanha, porém também estão presentes preconceitos e crueldades com as quais deverá lidar, até que possa derrotar um cruel assassino.

Muitos cruzarão o seu caminho durante sua trajetória, tanto para o bem, quanto para o mal. Se ele conseguirá encontrar uma maneira de superar seu destino e a dor advinda de suas provações, isso não dependerá de nada além de sua própria força de vontade!

- Motivos para ler:

A obra é uma rica fantasia nacional e nos oferece uma história de vingança, superação, cumplicidade e magia protagonizada por personagens bem desenvolvidos e com propósitos que os humanizam e nos faz criar uma rápida identificação. Além disso, a leitura é fluída e se passa num universo distópico.

- Curiosidade:

Mundo Desolado é o livro de estreia do Eduardo Krauze e é o primeiro volume da trilogia As Crônicas do Andarilho dos Sonhos.

 

Verdades Além-Túmulo (Caitlin Doughty, Darkside)

- Sinopse:

Uma agente funerária não só pondera sobre a morte: ela também recebe incontáveis perguntas sobre o que nos espera no além. Ao longo de sua peculiar trajetória profissional, Caitlin Doughty ouviu centenas de dúvidas curiosas, engraçadas e bizarras. As melhores foram selecionadas em Verdades do Além-Túmulo, seu novo e esperado terceiro livro, que chega à DarkSide® Books em uma edição especial.

Inspirada pela curiosidade das crianças e dos adolescentes sobre a morte, a autora reuniu 34 perguntas e as respondeu com seu estilo único: técnico, informativo e absolutamente bem-humorado. O resultado é um livro divertido e instigante, que dá continuidade ao empenho da autora em desconstruir o tabu da morte e dissipar o silêncio que costuma permear o assunto, para que possamos ter uma relação mais saudável com nossas perdas, lutos e a memória dos nossos entes queridos.

- Motivos para ler:

No Ocidente, a morte sempre foi vista como um tabu e falar dela pode reabrir cicatrizes e gerar ansiedade. Assim, Verdades Além-Túmulo é uma obra que se destaca pela leveza e certa dose de humor, ao qual a autora através de informação técnica, esclarece muitas dúvidas das crianças sobre o fim da vida.

- Curiosidade:

Verdades Além-Túmulo é o terceiro livro da autora - os outros são Confissões do Crematório (2016) e Para Toda a Eternidade (2019) - e em todas as suas obras a morte é abordada de forma técnica, informativa e bem-humorada.

A Era de Ultron (Brian Michael Bendis, Panini)

- Sinopse:

Ultron, a inteligência artificial robótica criada pelo vingador Hank Pym e que se tornou a maior ameaça já vista à humanidade, finalmente consegue realizar seu intento. De algum lugar no futuro, ele desfere o mais letal e decisivo ataque contra todos os seres humanos, aniquilando milhares na esteira de sua conquista.

Agora, os poucos heróis remanescentes preparam um contra-ataque suicida para tentar deter o robô. No entanto, a solução para esta crise pode se encontrar no passado, com o próprio Hank Pym... vivo ou morto!

- Motivos para ler:

A experiência de ler uma HQ (história em quadrinhos) é muito rica, pois além das letras, as imagens nos coloca numa imersão e revela muito do enredo e das emoções dos personagens. A obra da Era de Ultron, especificamente, é um importante meio de se aprofundar no Universo dos Herois da Marvel, principalmente para fãs que só os conhece dos filmes recentes. Aqui temos uma realidade alternativa e muitos herois novos e os velhos queridos e a riqueza da história, oferece ao leitor reflexões sobre o limite da ciência, as consequências da ambição dos homens traumatizados e os limites da ética para evitar um mal pior.