sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Resenha | O Labirinto dos Espíritos – Carlos Ruiz Zafón


Foi lançado em todo Brasil, a quarta parte da série Cemitério dos Livros Esquecidos, O Labirinto dos EspíritosEscrito brilhantemente pelo espanhol Carlos Ruiz Zafón e publicado pela editora Suma das Letras, somos transportado a uma Barcelona pós Franco, numa conclusão épica e arrebatadora.


Vale lembrar que a saga se iniciou com A Sombra do Vento e teve continuação nos livros O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu.


– A História

Na trama acompanhamos o primeiro-ministro da Espanha, Maurício Valls – o diretor da prisão Montjuic, bastante citado no terceiro volume -, receber uma correspondência e sair no meio da noite com seu guarda-costa. Dias depois, sem qualquer notícia deles, Valls é dado como desaparecido e é quando entra em cena a competente Alicia Gris, que apesar de sua desconfiança precisa unir forças com a polícia para solucionar o caso. Entretanto, a Espanha ainda possui muitos fantasmas da guerra e essas forças ocultas não medirão esforços para colocar perigos no caminho de Alicia e eliminar de uma vez por todas a existência de Valls.

– Os Personagens

Quem se atrever a visitar as páginas do Labirinto dos Espíritos, poderá conhecer novos personagens intrigantes, como: Vargas, o destemido policial; Fernandito, o fiel escudeiro de Alicia; entre outros. Para aqueles mais saudosistas, aqui nos reencontramos com os nossos queridos Sempere – Daniel, Bea, Julian; além do inconfundível Fermin e o controverso Maurício Valls. Contudo, quem rouba todas as cenas é a enigmática e estonteante Alicia Gris. Ao fazer da vida sofrida o combustível necessário para a sobrevivência, ela passou a contar consigo mesma para se tornar uma das melhores investigadoras que já se teve notícia. Com hábitos por vezes condenáveis e sem meias palavras, ela utiliza-se das trevas para enfim trazer à luz a todos os mistérios da narrativa.

Vale destacar a ambiguidade de todos os personagens. Ninguém é 100% herói e nem totalmente vilão. O que torna ainda mais fascinante a leitura, afinal cada um tem seus próprios mistérios e fantasmas, o que os torna muito humanos.

– Opinião

O Zafón é um daqueles escritores que nos entregam a alma e isso fica evidente em cada uma das mais de 700 páginas desse quarto volume do Cemitério dos Livros Esquecidos.
Com uma trama surpreendente que se diferencia dos outros volumes por ter fortes características de um romance policial, a obra não decepciona em nenhum momento ao entregar um desfecho digno da série. Vale lembrar que o Labirinto dos Espíritos é o último volume de uma quadrilogia e o mais surpreendente é que nenhum personagem foi esquecido ao encontrar seu próprio final.

Se vocês tiverem que escolher um único livro esse ano, não tenham dúvidas de que Zafón é a escolha a ser feita.


- Sinopse:

Madrid, anos 1950. Alicia Gris é uma alma nascida das sombras da guerra,que lhe tirou os pais e lhe deu em troca uma vida de dor crônica. Investigadora talentosa, é a ela que a polícia recorre quando o ilustre ministro Mauricio Valls desaparece; um mistério que os meios oficiais falharam em solucionar. Em Barcelona, Daniel Sempere não consegue escapar dos enigmas envolvendo a morte de sua mãe, Isabella. O desejo de vingança se torna uma sombra que o espreita dia e noite, enquanto mergulha em investigações inúteis sobre seu maior suspeito — o agora desaparecido ministro Valls. Os fios dessa trama aos poucos unem os destinos de Daniel e Alicia, conduzindo-os de volta ao passado, às celas frias da prisão de Montjuic, onde um escritor atormentado escreveu sobre sua vida e seus fantasmas; aos últimos dias de vida de Isabella, com seus arrependimentos e confissões; e as intrigas ainda mais perigosas, envolvendo figuras capazes de tudo para manter antigos esqueletos enterrados.


Resenha | Tartarugas Até Lá Embaixo – John Green


Tartarugas até lá embaixo, Intrínseca, 272 páginas,  é o livro mais pessoal do John Green. Com personagens cheios de problemas e donos de uma resiliência incrível – a sua maneira, cada um tenta vencer as próprias batalhas – somos tocados por uma história real e com muitas reflexões sobre primeiro amor, amizade, família e as surpresas que a vida proporciona.


A jornada de Aza e Daisy – melhores amigas, que encontram no sumiço do controverso Russel Picket, a chance de mudar suas vidas – são repletas de emoções. Com passagens pela cultura pop (fanfics de Star Wars) e diversas citações, aos poucos passamos a torcer para que essas heroínas consigam encontrar um final (ou um futuro) feliz.

O ponto alto do livro foi a escrita sensível de Green ao nos deixar imersos nos sentimentos dos personagens. A falta de rumo dos irmãos Picket, nos deixa agradecidos pelas pessoas que temos em nossa vida; a realidade de Daisy, tão próxima do nosso dia a dia, traz inúmeras lembranças; e os espirais de pensamento de Aza, aqui um retrato de grande coragem de Green (o autor foi diagnosticado com TOC ainda na infância), além de deixar o leitor ansioso e em intensa agonia em inúmeras passagens, também serve como um pedido de atenção para a questão dos transtornos mentais, tão presentes no mundo atual.
Tendo como plano de fundo um desaparecimento controverso, como foi em Cidades de PapelGreen nos convida para uma jornada interior, na qual ao nos perder em nós mesmos (re)descobrirmos o que nos torna humanos.


Sinopse:

Aza Holmes não está disposta a sair por aí bancando a detetive para solucionar o mistério do desaparecimento do bilionário Russel Pickett, mas há uma recompensa de cem mil dólares em jogo, e sua melhor amiga, a destemida Daisy, quer muito botar a mão nesse dinheiro. Assim, as duas vão atrás do único contato que têm em comum com o magnata: o filho dele, Davis.

Resenha | Na Minha Pele – Lázaro Ramos

O livro Na Minha Pele, do escritor/ator Lázaro Ramos, foi minha última leitura de 2017 e uma grata surpresa, por desconhecer a trajetória desse artista. Narrado de forma muito pessoal, em pouco menos de 150 páginas, o autor nos convida a refletir sobre temas muito atuais do nosso dia a dia, como: preconceito, identidade, conscientização social, cultura, raça, entre outros; na esperança de construirmos um mundo mais igualitário.


Mesclando passagens – que vão desde a sua infância humilde até a fase adulta –Lázaro constrói um relato pessoal e por vezes emotivo, no qual nos apresenta toda sua intensa inquietação sobre o mundo, por vezes, debatida no programa Espelho (Canal Brasil) e reflete sobre a sociedade de forma corajosa e lúcida.


Na Minha Pele desponta como uma obra de valor histórico pela relevância dos temas discutidos e, ainda, como memorial por apresentar costumes de lugares vividos pelo autor.



Sinopse:

Movido pelo desejo de viver num mundo em que as pluralidades cultural, racial, étnica e social sejam vistas como um valor positivo, e não uma ameaça, Lázaro Ramos divide com o leitor suas reflexões sobre temas como ações afirmativas, respeito, gênero, família, libertação, afetividade e discriminação…

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

A Garota Marcada Para Morrer (David Lagercrantz)



  • "Todos nós temos coisas na vida que não conseguimos encarar ... Daí você acaba fazendo vista grossa e fingindo que elas não existem." - 317

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Para Educar Crianças Feministas (Chimamanda Ngozi Adichie)



  • "A linguagem é o repositório de nossos preconceitos, de nossas crenças, de nossos pressupostos. Mas, para lhe ensinar isso, você terá de questionar sua própria linguagem." - 35

O Vendedor de Sapatos (Bruno Peres)



  • "Toda ação gera mudança." - 36
  • "... as boas oportunidades surgem quando realizamos o bem e movimentamos tudo ao nosso redor." - 42
  • "... é muito comum julgarmos as pessoas com base em nossas experiências. Tudo o que vimos, ouvimos e vivemos são usados para criar nossas bases de julgamento. Por isso, algumas pessoas se mostram mais abertas as diferenças do que outras." - 46
  • "Ninguém quer sofrer, mas poucos querem mudar suas atitudes para parar de sofrer." - 70
  • "Ajudar nem sempre é apenas dar algo a alguém, a caridade está em entender as pessoas, em apoiar a seguir com suas vidas. Nem sempre elas precisam apenas de uma doação." - 127